Thursday, June 08, 2006

Aleksei Maksimovich Peshkov


Aleksei Maksimovich Peshkov
1868-1936

Gorki é a palavra russa para amargo. Gorki foi a sua vida e em Gorki se tornou.

Era uma vez um homem chamado Aleksei Peshkov, que viu toda a sua vida mudar aos 19 anos. Num acto pleno de loucura e de desespero tentou matar-se. O tiro nos pulmões não lhe tirou a vida, mas provocou-lhe tuberculose e deu à Rússia um novo homem, renascido das cinzas para novas lutas e com um único sonho: uma Rússia livre do czarismo.

Antes da tentativa de suicídio Aleksei era um homem apático, apatia nascida de uma concepção fatalista. Com a morte precoce da mãe a sua infância foi triste, desprovida de amor incondicional. Sem recursos materiais lançou-se no mundo laboral e com ele teve o seu primeiro contacto com os livros. Foi na cozinha de um navio que um colega lhe deu os primeiros livros a ler. Quem diria que uma simples cozinha o iria levar para o mundo da literatura. Foi aos 15 anos, já fora da cozinha que escreveu o seu primeiro livro.

O sonho de ver a sua Rússia livre do czarismo levou ao mundo da política. E foi este mesmo sonho que o afastou da sua querida nação em 1906. O exílio foi penoso. A Rússia era a sua amada pátria e como ela não havia igual. Torna-se um cidadão do mundo, viajando por vários países. Grande parte da sua obra foi escrita neste período. Regressa em 1913, mas a sua doença não o permite ficar durante muito tempo levando-o outra vez a partir. Durante o seu breve retorno, retoma a sua luta pela liberdade. È através do um pequeno jornal, do qual é dono, que dá voz aos seus sonhos e anseios. È também nesta altura que trava amizade com seu compatriota na luta pela liberdade, Lenine. È longe de casa que celebra, em 1917, a concretização do seu sonho: o seu país é libertado do czarismo. Finalmente em 1928 consegue o tão esperado regresso à Rússia e não mais de lá voltou a sair.

Aleksei foi um homem extraordinário. As suas imensas viagens e os seus inúmeros trabalhos dotaram-no de um exímio conhecimento sobre as camadas populares russas, conhecimento que seria usado mais tarde na criação dos seus protagonistas. Nas suas obras soube captar o que havia de mais profundo na alma do povo russo. Não falava de príncipes nem de princesas mas de pessoas reais, das classes excluídas: operários, vagabundos, prostitutas, etc. Nas suas obras expressava também o seu sonho revolucionário. O melhor exemplo é o livro “A Mãe”, um exaltante e comovente romance que conta a história do operário Pàvel Ulásov e da sua mãe que personificam a paixão e o sacrifício em benefício da humanidade. Pois para Aleksei apenas a união, o trabalho colectivo e o sacrifício trariam a felicidade desejada. Faleceu a 14 de Junho de 1936 deixando a Rússia culturalmente mais pobre. Dele restam os seus livros e o seu espírito corajoso que a tantos inspira pela Rússia fora e um pouco por todo o mundo.

“Vim ao mundo para não estar de acordo”

Aleksei Maksimovich Peshkov foi
autor,
dramaturgo,
jornalista
e activista …
era
conhecido por Máximo Gorki, o escritor da alma russa.

Em 1901, Máximo Gorki escreveu este belo poema sentindo a tempestade revolucionária que estava para se processar na Rússia heróica do seu tempo. A palavra albatroz (burieviestnik) em russo pode ser traduzida como mensageiro (viéstnik) da tempestade (buria), por ser ele o único animal que no meio de qualquer tormenta, voa alegremente. A mensagem é clara: no meio do caos, não devemos temer as tempestades, mas voar com elas e contribuir para que elas transformem efectivamente o mundo! Este poema ilustra bem o homem que era Máximo Gorki e a filosofia que propunha para a Rússia. A Rússia devia ser como o Albratoz, não temer nada nem ninguém e “voar em liberdade”.

"Sobre a superfície cinzenta do mar,
O vento reúne
Pesadas nuvens.
Semelhante a um raio negro,
Entre as nuvens e o mar,
Paira orgulhoso o albatroz,
Mensageiro da tempestade.
E ora são as asas tocando as ondas,
Ora é uma flecha rasgando as nuvens,
Ele grita.
E as nuvens escutam a alegria
No ousado grito do pássaro.
Nesse grito – sede de tempestade!
Nesse grito – as nuvens escutam a fúria,
A chama da paixão,
A confiança na Vitória.
As gaivotas gemem diante da tempestade,
Gemem e lançam-se ao mar,
Para lá no fundo esconderem
O pavor da tempestade.
E os mergulhões também gemem.
A eles, mergulhões,
É inacessível a delícia da luta pela vida:
O barulho do trovão os amedronta...
O tolo pinguim, timidamente
Esconde seu corpo obeso entre as rochas...
Apenas o orgulhoso albatroz voa,
Ousado e livre sobre a espuma cinzenta do mar.
Tonitroa o trovão.
As ondas gemem na espuma da fúria.
E discutem com o vento.
Eis que o vento
Abraça uma porção de ondas
Com força e lança-as
Com maldade selvagem nas rochas,
Espalhando-as como a poeira,
Respingando uma noite de esmeraldas.
O albatroz paira a gritar
Como um raio negro,
Rompendo as nuvens como uma flecha,
Levantando espuma com suas asas.
Ei-lo voando rápido como um demónio;
Orgulhoso e negro demónio da tempestade;
Ri das nuvens, soluça de alegria!
Ele – sensível demónio –
Há muito vem escutando
Cansaço na fúria do trovão.
Tem certeza de que as nuvens não escondem,
Não, não escondem...
Uiva o vento... Ribomba o trovão...
Sobre o abismo do mar,
Um monte de nuvens pesadas
Brilham como centelhas.
O mar pega as flechas de relâmpagos
E as apaga em sua voragem.
Parecem cobras de fogo.
Os reflexos desses raios,
Rastejando sobre o mar e desaparecendo.
_ Tempestade!
Breve rebentará a tempestade!
Esse corajoso albatroz
Paira altivo entre os raios
E sobre o mar furiosamente urrando
Então grita o profeta da Vitória:
QUE MAIS FORTE ARREBENTE A TEMPESTADE!"

(a tradução existente deste poema foi realizada por um brasileiro, logo o português é o falado no Brasil)